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Mostrando postagens de novembro, 2019
GOIABAS NO CESTO Andar pelo campo? Colher goiabas? E pensar... Clara! Clarinha! Por onde andas, menina? Ela gostava de correr livre, de ser livre, de não dar explicações. Os pais se preocupavam com aquela menina esquisita. Escrevia poesias na terra, vivia alheada. Era linda, mas tão diferente da irmã. ... E vieram os anos. Ela cresceu. Os cabelos no meio das costas, cabelos encaracolados, rebeldes. Bem como ela. Não parecia se adequar ao lar. Era mesmo muito diferente. Costumava voar... e voltar. ... -- Você se casará mesmo com este moço? -- Por que não? Gosto dele. -- Não é o rapaz certo para você. -- O que é certo para mim? ... Mas o casamento não se realizou. O rapaz sofreu um acidente fatal às vésperas do casamento. Gostava tanto dele. Ele entendia suas esquisitices. ... -- Nunca mais me interessarei por ninguém, papai. -- Tolice. Logo aparecerá alguém. -- Não é o que almejo para minha vida. -- O que pretende? -- Pretendo viver sozi...
A NOIVA Ela vinha com um belo buquê de orquídeas na mão. Olhos deitados no chão. Vinha chorosa. O pai diria: triste Rosa. É, o nome dela era Rosa. ... Casar-se-ia. Chegara seu dia. Mas não era com alegria que o fazia. Fora obrigada a isso? Não fora. Simplesmente se deixara levar aos pés do altar. Sentindo-se solitária e vendo os anos chegarem aceitara o pedido. O pai vivia lhe repetindo: não faz sentido. Desiste Rosa. A mãe a aconselhando: o amor vem com os anos. Ela nem tinha planos. Deixara-se levar. ... No altar aquele homem a aguardava. Quase um estranho. Na verdade, era um completo estranho. Tinham trocados alguns beijos. Beijos frios, sem graça. A fala dele, o jeito dele, nada a agradava. Então por que deixara que as coisas chegassem a este ponto? Voltar atrás? Dizer que não queria mais? ... Rosa caminhava com dificuldade. Mais alguns passos e chegaria ao altar. Ia só. O pai na última hora desistira de acompanhá-la até o altar...
O VASO Era um simples vaso? Meio trincando. Feio. Jogado. E ela o pegou. Para casa levou. Lavou. Nele uma folhagem plantou. Deixou-o ali num canto da varanda. Veio o vento. Derrubou. O vaso quebrou. Ela nem reclamou. Os cacos catou. ... Passaram-se os anos. A moça se transformou numa mulher solitária. Vivia do quarto à sala. Na cozinha ia pouco. Só o tempo de preparar uma refeição. A área de serviço ficava por conta da moça que vinha fazer a faxina semanalmente. Trazia sempre um livro à mão. Um dia pensou: vou contar daquele vaso que quebrou (era metida a escrever também).   Havia nele um certo encanto (no vaso). Por isso o peguei. E quis descrevê-lo. Mas como se na memória pouco ficara? Nem lembrava a cor do vaso. Os cacos talvez estivessem ainda nalgum canto do mundo. E ela gostaria de tê-los à vista para descrever o vaso. Que moça tola fora! Cheia de ilusões. Como as pessoas conseguem machucar os corações! O dela fora fatiado...